—«Irmão, é preciso morrer ...»
XXVIII
Cahir com graça
Quando em Roma o gladiador se sentia mortalmente ferido, nos sangrentos combates do circo, e a destreza se lhe tornava inutil, elle procurava ainda accender applausos na multidão, para a qual a sua agonia era um espectaculo, por uma queda a que elle tentava imprimir toda a arte, e cahia na arena com graça.
—Esta phrase applica-se, pelo lado moral, aos que, em politica, no amor, etc., se salvam da humilhação d'um cheque, pela boa graça, real ou ficticia, que fazem acceitar.
XXIX
Hippocrates diz sim, Galiano diz não
Hippocrates e Galiano são os dois representantes mais illustres da medicina, entre os antigos: aquelle nos gregos, este nos romanos. Galiano nutria uma profunda veneração pelo genio do pae da medicina, e um dos maiores serviços que prestou á sciencia, foi o de ter, no meio d'uma sã critica, collocado o facho sobre as obras d'aquelle que chamava seu mestre. Hippocrates e Galiano teem de commum que dotados ambos d'um vasto genio, avançaram muito nos segredos da natureza, e ambos mostraram egual ardor na investigação da verdade, não pelo apparato das riquezas, mas só pelo amor da humanidade.
—Esta phrase proverbial: Hippocrates diz sim, Galiano diz não, não tem pois a sua origem no antagonismo dos dois grandes homens e dos seus systemas; mas como a medicina é o immenso campo da contradicção, e quando um medico diz—tanto melhor, um outro diz—tanto peior; quando este applica sangrias aquelle proscreve-as; quando um colloca a séde de todas as doenças nos nervos, o outro nos humores; quando, emfim, um escreve no seu estandarte—contraria contrariis ... e o outro—similia similibus ..., comprehende-se que era á medicina que a contradicção devia pedir a sua divisa, e que as duas columnas d'esta sciencia lhe deviam fornecer a expressão.