Esta phrase data da revolução de Julho de 1830, em França, e eis em que circumstancia foi pronunciada. Uma ultima tempestade tinha derrubado para sempre o throno do ramo mais velho dos Bourbons. Era em sexta-feira, 30 de Julho; o povo estava inteiramente senhor de Pariz, e uma commissão a que presidia Lafayette cercava o Hotel-de-Ville. Carlos X, em Saint-Cloud, dominado por uma cegueira que lhe tinha feito jogar a corôa, conservava ainda illusões e esperava que algumas concessões o collocariam sobre o throno. M. de Sussy, portador de despachos que revogavam as fataes determinações de 25, apresenta-se no Hotel-de-Ville e entrega-os a Lafayette. Este dá-lhe então a famosa resposta:

—«É muito tarde!»

Alguns dias depois o duque d'Orleans, chefe do ramo mais novo, subia ao throno. Mas, estranha volta das coisas d'este mundo, dezoito annos depois e em circumstancias quasi analogas, a mesma resposta foi dada a Luiz Philippe. Elle tambem devia ouvir Lamartine responder ás suas tardias concessões:

—«É muito tarde!»

XXXI
Não ha grande homem para o seu creado de quarto

Segundo Mademoiselle Aïssé, esta phrase teria sido pronunciada pela primeira vez por Madame Cornuel, mulher d'espirito, do tempo de Henrique IV, da qual Madame de Sevigné cita os bons ditos. Essa phrase é, sem duvida, uma reminiscencia d'essa outra de Montaigne:—«Poucos homens teem sido admirados pelos seus creados.» Qual é, em verdade, o homem de genio que fica egual a si proprio, quando já não está em scena? O mundo é um espectaculo, onde cada qual representa um papel apropriado, em quanto está deante do publico, mas de que se despoja todo o brilho d'emprestimo desde que se recolhe a bastidores. Aqui o homem substitue o heroe e quantos poderiam dizer como o grande Condé, quando era fatigado com titulos pomposos e elogios hyperbolicos:

—«Perguntem o que sou ao meu creado de quarto!»

XXXII
Cantam, elles pagarão