XLI
O estado sou eu!
No dia immediato ao da morte do cardeal Mazarino, Luiz XIV, então de vinte e dois annos, fez chamar os ministros que o cardeal lhe tinha deixado—Pedro Séguier, Miguel Lettellier, de Lionne e Fouquet, e declarou-lhes que seria elle proprio, de futuro, o seu primeiro ministro. Na mesma tarde o arcebispo de Ruão foi encontrar-se com elle e disse-lhe:
—«Vossa Magestade tinha-me ordenado que me dirigisse ao cardeal para todos os negocios; elle está morto, a quem devo dirigir-me agora?»
—«A mim, senhor arcebispo.»
O reino de Luiz o Grande estava começado.
Estes preliminares pintam já o caracter de Luiz XIV e tornam muito provavel a authenticidade da famosa phrase—O estado sou eu!—que a historia diz elle fez ouvir, quando entrou de botas e esporas no parlamento.
Como o presidente lhe significasse que a resistencia opposta aos seus editos, tinha a sua origem nos interesses do estado, o joven monarcha respondeu:
—«O estado sou eu!—L'etat, c'est moi!»