—«Prouvera a Deus que ella se enchesse de verdadeiros amigos!»
Esta bella phrase foi aproveitada por La-Fontaine, de que damos a seguinte versão:
«Socrates uma casa edificava,
E cada qual a obra criticava.
Um achava o interior,
Para dizer a verdade,
Indigno do morador;
Um outro desdenhava a frontaria,
E toda a gente que essa casa via,
Achava os aposentos limitados
E bem pouco lisongeiros
Mesmo por qualquer dos lados.
—«Prouvera a Deus que d'amigos provados
Se enchesse—diz—d'amigos verdadeiros!»
Socrates razão tivera
De achar, por tal, espaçosa a casita;
Amigos muitos ha—quem acredita?
Amigos de nome apenas,
Não d'amisade sincera.
XLV
Desgraça aos vencidos!
Depois da sangrenta batalha d'Allia, cujo anniversario foi incluido pelos romanos no numero dos dias nefastos, o terror tinha-se espalhado em Roma e todos os habitantes haviam fugido, excepto oitenta velhos que esperavam corajosamente a morte nas suas cadeiras curues, e a mocidade que se refugiou no capitolio. Depois de terem saqueado e queimado Roma, os gaulezes pozeram cêrco á fortaleza, e tendo dado um assalto sem resultado, estabeleceram então um cêrco mais rigoroso. Os defensores da fortaleza, sitiados havia sete mezes e entregues a todos os horrores da fome, pedem, afinal, capitulação. Brenno, chefe dos gaulezes, consente em levantar o cêrco mediante mil libras de ouro em peso. O tribuno Sulpicio apresenta a somma no dia marcado. Em quanto que se pesa o ouro, levanta-se uma contestação e os romanos censuram aos vencedores o uso de falsos pesos.
É então que Brenno, lançando a sua pesada espada na balança, pronuncia a phrase celebre que depois se tornou proverbial:
—«Desgraça aos vencidos!»—«Væ victis!»