XLVI
Manto de Joseph
Os mercadores ismaelitas, aos quaes Joseph fôra entregue por seus irmãos, levaram-n'o para o Egypto e venderam-n'o a Putiphar, um dos principaes officiaes do rei. A mulher de Putiphar, animada d'uma criminosa paixão, pelo joven israelita, que era formoso, tentou abalar-lhe a virtude e, para o obrigar a consentir nos seus desejos, ella agarrou-o um dia pelo manto e quiz attrahil-o a si.
Joseph abandonou-lhe o manto e fugiu. Cheia de cólera e envergonhada por se vêr assim desprezada, essa mulher disse ao marido:
—«O escravo hebreu quiz ultrajar-me, mas aos meus gritos fugiu, deixando-me o manto entre as mãos!»
Putiphar, irritado, fez encarcerar Joseph.
—Comprehende-se, sem que seja necessario que o expliquemos, em que ordem de ideias se faz allusão ao manto de Joseph e á mulher de Putiphar.
XLVII
Mario sobre as ruinas de Carthago
Mario, livre das prisões de Minturnes, fez-se á vela para a Africa. O navio que o conduzia, privado d'agua, quiz aportar á Sicilia, mas uma força armada assaltou a equipagem, matou varios homens, e o proprio Mario só com difficuldade escapou. Alguns dias depois desembarcou na Africa, nos mesmos locaes aonde se elevava outr'ora a poderosa cidade de Carthago.