—«Vinde honrar esta corôa, que honrou todos quantos a collocaram antes de vós.»
Os aprestos da cerimonia proseguiam com a maior rapidez e o Tasso ia, emfim, receber a recompensa d'uma vida cheia d'amargura e de dôr; mas por uma ultima irrisão da sorte elle morreu na vespera do proprio dia em que devia subir ao Capitolio, e o louro poetico não adornou senão a fronte do seu cadaver, que fôra amortalhado com a toga romana.
Pouca gente desconhece a magnifica descripção que Madame de Stael fez da coroação de Corinna. A brilhante escriptora faz reviver no seu celebre romance a Corinna Thebana, a rival feliz de Pindaro, varias vezes coroada nos jogos olympicos.
XLIX
Onde não ha el-rei o perde
Representava-se na comedia Franceza, com immenso successo o Cerco de Calais, tragedia de Belloy. O principal papel era desempenhado pela actriz Clairon, tão conhecida pelas suas aventuras galantes sob o nome de Fretillon. Um comediante muito obscuro, chamado Dubois, que desempenhava um papel n'esta peça, era accusado pelos seus collegas d'um acto de improbidade. Estes, tendo á frente a Clairon, recusaram-se a entrar em scena em companhia d'elle, e o Cerco de Calais foi interrompido na vigesima representação. Os espectadores agitaram-se e houve desordem no theatro. Clairon fazia-se especialmente notar entre os mais obstinados. Ordenou-se que ella fosse conduzida ao Fort-L'evêque. Ella, então, disse a quem a intimava, com emphase theatral, que ia, mas que sua magestade podia tudo sobre os seus bens e sobre a sua liberdade, mas nada sobre a sua honra.
—«Isso é sabido—responderam-lhe—onde não ha el-rei o perde!»
É vulgar e de facil comprehensão a applicação d'esta phrase.