—Jà te convences? A esta hora, nem os trabalhadores estão aqui... Ah! Esqueci-me de dizer-te: os cavouqueiros não foram hoje à pedreira...
—Miseraveis! Preguiçosos! Nem me vendo neste estado, esses malvados deixam de consumir-me. Um dia de descanso numa pedreira, é um prejuisão... Rim... rim... rim... rim...
—Fiz ver tudo isto a elles.
—E porque não trabalharam?
—Porque morreu a moça do mestre, e este não veiu...{159}
—Não digo?!... Foi alguma imperatriz, certamente, que morreu. Pois là na minha terra, é que se sabe trabalhar... Là trabalhariam até à hora do enterro. Aqui encontram a razão para muitos dias de ocio. Se eu estivesse bom, a esta hora teria tocado todos elles para a rua. Rim... rim... rim... rim... Não gosto de vadios. Fui homem que, numa vida inteira, não teve uma hora de vadiação. Sempre comi de chapeu na cabeça e esporas nas botinas. Por isso guardei meia-duzia de contos. Digo assim meia-duzia, mas, ao certo, nem sei quantas meias-duzias guardei... Trabalha-se e guarda-se... Ouviste agora?
—Sim.
—E então?
—Não sabes o que foi?
—Não sei...