—Acaba, primeiramente, o que contavas... Não quero perder a bôa hora de confidencias que inauguraste...
—Pouco mais tenho para te dizer... Depois do primeiro beijo, os contactos... Em seguida, as mutuas confianças, mais um arregaçamento hoje, mais uma ternura amanhan... Um dia, porem, por mais que eu lhe resistisse, desejou ver-me o começo das pernas... Intimidades, Stella, intimidades, proprias, communs e infalliveis entre todos os noivos... Eram ellas que me garantiam, até hoje, a constancia de Narciso, e, quando vejo, como agora, que o que lhe faço jà se torna pouco para o prender na fidelidade accordada, adianto-lhe um pouco mais, sem comtudo deixar que elle perceba o manejo de fazer crescerem as concessões, na medida em que venha o seu enfartamento pelas anteriores... Conta, agora, o que tu viste...
—Deitemo-nos, primeiro... A fadiga luxuriosa me alquebra os membros e o corpo quer distender-se nervosamente num leito macio...
—E onde ficou Alberto?
—O meu primo?{172}
—Sim.
—Deixou-me ao entrar aqui. Pela nossa compostura fomos dois pierrots da maior sensação! Nem calculas como é deliciosa a companhia do meu primo nestes momentos... Ao depois, relembrou-me, com um calculado geito, pelo caminho, tudo quanto mais impressionou os meus sentidos. Soube corresponder à minha excitação, não commettendo maiores pecados do que me beijar nas passagens mais sombrias das ruas...
—Invejo-te, Stella!
—Bem poderias ter ido...
—Qual nada!