—Pois não! A divette foi quem lhe passou o champagne collando os seus nos labios delle... Garanto-te que não sabias deste modo de acariciar...

—Confesso-te que não.

—Ahi está. Verias a droiture com que o teu noivo se curvou, encostou nas suas as faces da encantadora mulher, collou-lhe os labios e sugou-lhe a entontecedora bebida...

—Como deve ser bom esse carinho!

—Ao depois, beijaram-se...

—Aos olhos do publico?

—Sim.

—Ah!... Se eu estivesse là...

—Não farias senão nada. Eu, pelo menos, nessas occasiões de grande excesso, alli mesmo{175} me voltava, e, se não fossem as nossas mascaras, creio que, incondescendente, devoraria Alberto de beijos... Não conheço, Christina, nada que excite mais do que aquellas dansas. Um conto de Caliban é menos excitante, e um par dansando é bem um conto luxurioso escripto com a alma e a carne mais quentes, para ter o ponto final de um beijo. Os corpos estreitavam-se brutalmente, as pernas se entrançavam, as mãos, servindo de oppressores, estreitavam os troncos e cada par, assim enlaçado, cabeça descahida sobre cabeça, parecia um corpo só com a monstruosidade de quatro pernas... Exquisito, sem igual... Homens e mulheres não se distinguiam na furia dos sentidos...

—E Narciso dansou?