—Tens uma pellugem de arminho...

—Ai!... Assim não... não...

—Que tens, rapariga?

—Beijas-me, Helena, com uns labios quentes e gulosos... Só me déste vontade de...

—Ui!... ui!... ui!... Fazes-me um frisson de arrepiar-me os pellos...

—É para vingar o teu beijo...

—Porque me olhas assim, Angelica?{22}

—És de uma alvura surprehendente, minha amiga. De teu corpo rescende um perfume originalissimo que me entontece...

—Aprendi a perfumar-me com as gregas. Li num livro que uma beldade se cubria de perfumes para agradar aos amantes. Eu o faço para attrahir as amigas como tu... Uma grega banhava as pernas numa bacia de prata em que se confundiam os aromas do nardo de Tharsos e do metôpyon do Aigypte. Nas axillas attritava mentho e sobre as pestanas e nas palpebras marjolana de kôs. Ao depois, a escrava defumava-lhe os cabellos desennastrados com espiraes de incenso, que combinava admiravelmente não só com a essencia de rozas de Phasêlis que lhe embalsamava a nuca e as faces, como tambem a bakkaris que se lhe derramava sobre os rins. E, por fim, entre os seios, corria o celebre oinanthê das montanhas de Chypre... Sei perfumar-me, Maria Angelica...

—Bem se lhe pareciam as gregas, tuas mestras...