—Entre os meus seios, inda ha pouco, deixei correr um fio languido do irresistivel Royal-Begonia, e nas axillas puz algodões embebidos na essencia de rozas... Nos meus cabellos derramei oleos de sandalo, para contrastar{23} com as evolações das essencias de jasmins que perfumam as minhas vestias...
—E na posse de tudo isto praticas uma mà acção, Helena!
—Qual?
—Essa de referires tantos perfumes e não me dares nenhum a provar... És avarenta, como ninguem, e eu cubiçosa de gozar...
—Vai ao meu toucador e gasta do que quizeres...
—Teria graça!
—Porque assim?
—Gósto das flores nos vegetaes, das essencias nos corpos das mulheres. Quero experimentar com o olfacto o odor unico que se desprende das tuas carnes...
—Tens desejos masculinos, minha queridinha!
—E é o que me faz lamentar-me: junto de uma graça não ser um Adonis, junto de uma Helena não ser cupido... Se eu pudesse embriagar-me com os teus perfumes e desmaiar de prazer entre os teus prazeres, seria mais feliz do que Syrinx, louca de paixão, Byblis, unica na insaciabilidade, ou Mnasidika, macia como um velludo... Helena, tu és uma perfeição...