—O sophisma substitue a tua logica: o amor cedeu o posto á quesilia dos outros...

—Esperarias o meu consorcio sem o consenso dos que me deram a existencia de mulher?{34}

—Nem sei de mim mesmo que te responda...

—Não poderias esperar. Se eu fôsse livre, se a lagarta para ser papilio não carecesse de passar por ser chrysalida, nem eu te mandaria impetrar a sancção que nos faltou, nem os que nol-a negaram teriam razões para tal fazer. Aborrece-te o trovão? amedronta-te o curisco? Queres ver-te livre delles? Crê num Deus e pede-lhe a extinção... Infelizmente, Christovam, nem o trovão se extinguiria, nem o teu querer triumpharia... De um lado, Deus seria impotente para te dar o que pedisses porque não terias o direito de pedir... Só pede quem póde pedir; se se pede é porque de quem dá depende o pedido; e se o pedido não é dado, procura a causa na insufficiencia e na sem-razão de quem pediu...

—Mas...

—Nada adianta, Christovam. Corresponde ao meu inquerito e nega-me, se conservares a razão, que tenho o bom senso desejavel ás creaturas perfeitas. Queres responder-me?

—Nada significará o que te responda.

—É preciso que sejas categorico.

—Pois sim: responder-te-ei.

—Poderias tomar-me como tua esposa sem, obteres a minha vontade?