—Por certo que não.{35}

—De minha parte a questão é outra: teria eu o direito de responder por mim num caso expresso de matrimonio? poderia ser unico o meu querer?

—Se quizesses, sim.

—Não é assim, não. Porque não me tomarias por mulher sem o meu assentimento? Por impoderoso deante de minha definição adversa. Porque não me daria eu por esposa sem o consentimento dos meus paes? Por impoderosa deante da pronuncia delles. Se tu pudesses alcançar de mim o amor sem vontade, desnecessario seria impetrares-m'a; se eu dispuzesse de meu corpo sem a intervenção dos que m'o formaram do nada em materia e em alma, nem cogitaria de enviar-te a elles...

—É um dilemma sophistico.

—Por que principio, não sei.

—Um dia, quando eu te disse que me abrazava na sêde do teu amor, Heloisa, como correspondeste a esse lapso do meu instincto?

—Do modo mais franco.

—Sim... Dando-me apaixonadamente os teus labios para nelles, como eu quizesse, matar a sêde que allegava...

—Dependia de mim. Dei-te.