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[O VELHO MEDICO]

O mostruario exhibia, garbosamente, os artigos da moda rigorosa.

ESTEPHANIO e JUDITH—esta desprendendo-se de si no devotamento ao esposo, e aquelle, dominador da mulher vencida em mais annos, como se lhe tivesse o corpo de cór, curvas e linhas, luzes e perfumes—gozavam o esplendor dos luxos, com que o artificio corrige os defeitos da Natureza e apaga os estragos do Tempo...

MARCO ANTONIO—o medico afamado—cofiando as ennevoadas barbas em que se escondiam as illusões do seu poder curador, arrancou os olhares dos dois esposos, e apoderou-se, com fascinante dominio, de suas attenções...{42}


—Bem póde a therapeutica dos homens... Vejo-o restituido ao fulgôr da mocidade...

—É exacto, doutor, passo agora sobre as molestias como a insensivel salamandra por sobre chammas... Descrendo da causa, não posso affectar-me com os seus effeitos: a sua medicina é a criadora das humanas torturas. Parece-me que jà se disse: «Tirem os medicos e as enfermidades desapparecerão»... Mas, eu digo: fugi delles e estou curado. Deem-me milhões de medicos e estarão formados trilhões de doenças.

—E quem te curou, meu caro?

—A natureza...

—O novo deus pagão...

—Assim diz o dr., mas, de facto, a inexgottavel fonte de poderes curadores. Lembra-se de que o procurei exasperado com o que soffria?