—Lembro-me, sim.
—Foram tantos os diagnosticos que jà perdi o direito de dar-lhes autorias.
—O sr. era verdadeiramente um doente.
—E o dr. escreveu uma longa lista de medicamentos para horas certas e invariaveis.{43}
—Realmente.
—Pois confesso-lhe: não fiz uso de um só. Tambem o doutor não foi o ultimo medico que me assistiu. Ainda hoje louvo-lhe a sua acuidade na inspecção. Nada faltou à sua perspicacia, senão comprehender que, no meu estado, as suas perguntas eram outras tantas suggestões e novos symptomas para a aggravação de meu mal. Eu vivia desvairado na vontade de accusar males crescentes, e os meus assistentes porfiavam em illustrar-me em torturas ineditas.
—Afinal... quem te curou?
—Dir-lhe-ei tudo, de começo. Hygia, a deusa da saude, não é de todo mà...
—A historia vai ser a mesma de todos os doentes restabelecidos: salvaram-se pela acção do dedo de Deus, como teriam morrido pela intervenção do doutor...
—Creio que o sr. adianta um mau conceito. Não me tenho na conta dos casos communs.