—Que horas serão?

—Jà é noite.

—E os medicos que não vieram?

—Vieram, sim. Tu estavas dormindo.

—Os medicos não vieram, não... Até a minha esposa conspira contra a minha existencia...

—Não pesas as tuas palavras, Ormindo.

—Jà sei de tudo. Perderam a esperança, abandonaram-me. Não passarei de hoje. Estou condemnado a horas.

—Descansa um pouco.

—Descansar, agora, só de vez. Bem curta foi a minha felicidade, e parece-me que foi hontem à tarde que nos vimos pela primeira vez. Um sonho às vezes tem existencia mais real, porque nos acompanha do momento da concepção em criança ao instante da morte na velhice. Ai!... falta-me o ar...{94}

—Assim queres! Falas tanto...