—O dia mais bello da mulher...

—Parece-te?

—Esta é bôa, Alexandrina! Sou eu quem deve perguntar-te: não te sentiste extraordinariamente feliz?

—Ah! sim... Casei-me por meu gosto...

—Olha que já me pareces outra com tanta sisudez e seccura...

—Não é, Mimi. Arthur e Dona Carolina nos olham insistentemente. É preciso que não me tenham na conta de alguma leviana: jà hoje em dia, minha amiga, tenho segredos que te não posso falar...{117}

—Prohibiram-te de dizer-m'os..

—Não! Nem sei explicar-te, mas ha tanta alteração na vida de uma mulher que se caza, dentro das primeiras vinte e quatro horas de sua vida conjugal, que nem sei como me reconheceste hoje... Jà viste, no craveiro, o botãosinho verde; o casúlo de folhas, como, na manhan seguinte, está um perfumoso cravo, uma flor distincta? Se te dessem as duas cousas, pela vez primeira, tu contestarias o facto como inveridico...

—Mas eu te vejo a mesma boniteza...

—Sim! É questão de alma. Suppõe que adormeceste no começo de uma viagem e que quando despertaste estavas numa terra de extranhos. O teu corpo seria o mesmo, a tua lindeza não seria transformada, mas o teu coração palpitaria diversamente na sociedade desconhecida a que aportaste. As tuas amigas ficariam noutra parte. Se quizesses vel-as, seria preciso que regressasses ou que ellas viajassem para onde fôras. Assim no cazamento: viajei para muito longe de ti. Para nos irmanarmos como dantes, ou voltarei à minha immaculabilidade de hontem, o que seria impossivel, ou tu ascenderás ao matrimonio para o que faço votos.