—Deste modo, Mimi, não chegaremos a um accordo. Ha beijos como ha conversas... O que te conversei até hontem, não conversarei jamais com o meu esposo. O que te converso agora, não conversarei jamais com a tua maman. Beijos!... Os que te dou são da ordem dos que sempre te dei...
—Bem te comprehendo. A mulher cazada tem duas existencias.
—Não sei se sómente duas, mas, a solteira, antes do matrimonio, nem sei quantas tem...
—Comtudo, conto-te eu um incidente de minha intimidade feminina. Dizes ou não ao teu marido?
—Conforme.
—Não é caso de dubiedades. Dizes ou não?
—Se fôr só do teu interesse, não.
—Faço-te justiça, minha boa Alexandrina: a tua gentileza obriga-te ao falseamento agora, sómente agora, do teu dever. Contarás tudo o que te disserem, ou serás uma perjura na fé{121} conjugal. Eu mesma duvidaria de tuas intenções, se occultasses do teu marido o menor acontecimento que te revelassem. E, por fim, em tudo quanto te falarem has de descobrir sempre esse interesse que não é exclusivo da pessôa que te fallou, para contares tudo ao teu companheiro. Deixemos essas cousas de parte, e affectemos a nossa convivencia hypocrita, como tu queres...
—Dou-te razão, minha amiga. O mundo é esse mesmo e não serei eu quem o modificará.
—Estavas bella, Alexandrina, nas tuas vestias de noiva!