De maillot, apenas, arrebicando as faces diante de um espelho, NINA, a bailadeira, tinha um milhão de pensamentos banaes no cerebro ardente.
Os traços da sepia e os rebordos do nanquim, já lhe accentuavam a grande vivacidade do olhar, e o pó de arroz attenuava e embellecia as côres roseas do rosto criadas pelo carmin vencedor.
Uma vez por outra, deixava de conformar-se, para attender aos appellos da porta, de onde, sem deixar ninguem penetrar, voltava enfastiada com as iterações de extranhos.
Esperava OCTAVIO: era o aimant du coeur, porque o CONSUL, o velho{140} francês, pelas suas funcções representativas, evitava aquelles encontros mais notorios...
—Nina?
—Quem bate? Octavio?
—Elle, sim!
—Entra, meu rico amor!
—Fiz-me esperar, hein?
—Nem tanto, mas eu tenho a regalia de poder cheirar-te as vestimentas para saber se tiveste o contacto do corpo de outra mulher, de vistoriar-lhe o casaco, para descobrir ahi os fios perdidos dos cabellos da que me logrou...
—Descansa o teu coração. Vivo inteiramente para ti. E emquanto estou longe do teu olhar, sou como o barro que espera, ardorosamente, a toda a hora, a plasmagem do artista. Por elle, passam e voltam, vão e tornam, todos os profanos: mas elle não é menos monopolisador de sua plasticidade do que uma flor do gnomo que só abra a horas certas...
—Não sabes? O Consul pediu-me a noite...