—E deste-lh'a?{141}
—Nem sei...
—Já me toma os dias inteiros... Entra agora pelas noites... Que horas serão as minhas?
—Todas até. Aturo-o porque tu consentes.
—Exactamente. Mas elle vem a prejudicar-me se continúas a não se satisfazer com o que lhe dás. Ás vezes, lá para as tantas do dia, penso em ti. O brazido abre em chammas ao menor sopro. O incendio alastra. Quero remediar-me e soffrer a caricia dos teus beijos anti-incendiarios. Vem logo a certeza de que o Consul te frequenta o dia inteiro. Esmoreço. Abomino-me e espero confiante o prazer da noite. Tenho sido certo e insubstituido. De agora por diante, nem mesmo nas noites poderei confiar. Ao amante nunca lhe dês demais. Se te pede uma hora, dá-lhe meia, se te pede um dia, dá-lhe horas, se te pede uma noite, dá-lhe um dia, e reduze sempre as suas pretenções. Ao contrario, todo o tempo será absorvido. E, quanto ao mais, espera-te hoje a ventura. Vais dormir com o Consul... Estou libertado...
—Oh! não! Que succede Octavio?
—Nada. Não estorvo os teus anhelos. Leva comtigo o Consul. Dá-lhe o meu lugar,{142} mas dize-lhe, ao menos, que não me occultaste a entrada delle no leito que deixo vasio...
—Espera um pouco que te falarei melhor. É só acabar de toucar-me...
—Careces de mim?
—Não me aborrece, Octavio!