—Pois seja hoje mesmo! resolveu Jeronymo. E o dinheiro lá está em casa, quarenta pr'a cada um! Em seguida á méla corre logo o cobre! E ao depois vai a gente tomar uma fartadela de vinho fino!
—A que horas nos juntamos? perguntou Zé Carlos.
—Logo ao cahir da noite, aqui mesmo. Está dito?
—E será feito, se Deus quizer!
O Pataca accendeu o cachimbo, e os tres puzeram-se a cavaquear animadamente sobre o effeito que aquella sova havia de produzir; a cara que o cabra faria entre tres bons cacetes. «Então é que queriam ver até onde ia a imposturia da navalha! Diabo de um colhordas que, por um—vai tu, irei eu—arrancava logo pelo ferro!...»
Dois trabalhadores, em camisa de meia, entraram na tasca e o grupo calou-se. Jeronymo fogueou um cigarro no cachimbo do Pataca e despedio-se, relembrando aos companheiros a hora da entrevista e atirando sobre a meza um nikel de duzentos reis.
Foi direito para o cortiço.
—Fazes mal em andar por ahi com este sol!... reprehendeu Piedade, ao vel-o entrar.
—Pois se o doutor me disse que andasse quanto pudesse...
Mas recolheu-se á casa, estirou-se na cama e ferrou logo no somno. A mulher, que o acompanhara até lá, assim que o vio dormindo, enxotou as moscas de junto d'elle, cobrio-lhe a cara com uma cambraia que servia para os taboleiros de roupa engommada, e sahio na ponta dos pés, deixando a porta encostada.