Aquelle novo sacrificio do portuguez; aquella dedicação extrema que o levava a arremeçar para o lado familia, dignidade, futuro, tudo, tudo por ella, enthusiasmou-a loucamente. Depois dos sobresaltos d'esse dia e d'essa noite, seus nervos estavam afiados e toda ella electrica.

Ah! não se tinha enganado! aquelle homemzarrão herculeo, de musculos de touro, era capaz de todas as meiguices do carinho.

—Então? insistio-elle.

—Sim, sim, meu captiveiro! respondeu a bahiana, fallando-lhe na bocca; eu quero ir comtigo; quero ser a tua mulata, o bem do teu coração! Tu és os meus feitiços!

E apalpando-lhe o corpo:—Mas como estás ensopado! Espera! espera! o que não falta aqui é roupa de homem pr'a mudar!... Podias ter uma recahida, cruzes! Tira tudo isso que está alagado! Eu vou accender o fogareiro e estende-se em cima o que é casimira, para te poderes vestir ás cinco horas. Tira as botas! Olha o chapéo como está! Tudo isto secca! Tudo isto secca! Mira, toma já um golle de paraty pr'atalhar a friage! Depois passa em todo o corpo. Eu vou fazer café!

Jeronymo bebeu um bom trago de paraty, mudou de roupa e deitou-se na cama de Rita.

—Vem pr'a cá ... disse, um pouco rouco.

—Espera! espera! O café está quasi prompto!

E ella só foi ter com elle, levando-lhe a chave na fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores; assentou-se ao rebordo da cama e, segurando com uma das mãos o pires e com a outra a chicara, ajudava-o a beber, golle por golle, emquanto seus olhos o acarinhavam, scintillantes de impaciencia no antegoso d'aquelle primeiro enlace.

Depois, atirou fóra a saia e, só de camisa, lançou-se contra o seu amado, n'um frenezi de desejo doido.