—Olé! Bravo! É a Rita Bahiana!
—Já te faziamos morta e enterrada!
—E não é que o demo da mulata está cada vez mais sacudida?...
—Então, coisa ruim! por onde andaste atirando esses quartos?
—D'esta vez a coisa foi de esticar, hein?!
Rita havia parado em meio do pateo.
Cercavam-na homens, mulheres e crianças; todos queriam novas d'ella. Não vinha em trajo de domingo; trazia casaquinho branco, uma saia que lhe deixava ver o pé sem meia n'um chinello de polimento com enfeites de marroquim de diversas côres. No seu farto cabello, crespo e reluzente, puxado sobre a nuca, havia um molho de manjericão e um pedaço de baunilha espetado por um gancho. E toda ella respirava o asseio das brazileiras e um odor sensual de trevos e plantas aromaticas. Irrequieta, saracoteando o atrevido e rijo quadril bahiano, respondia para a direita e para a esquerda, pondo á mostra um fio de dentes claros e brilhantes que enriqueciam a sua physionomia com um realce fascinador.
Acudio quasi todo o cortiço para recebel-a. Choveram abraços e as chufas do bom acolhimento.
Por onde andara aquelle diabo, que não apparecia para mais de tres mezes?
—Ora, nem me falles, coração! Sabe? pagode de roça! Que hei de fazer? é a minha cachaça velha!...