—Mas porque não te mettes tu logo por uma vez com o Firmo? porque não te casas com elle?

—Casar? protestou a Rita. N'essa não cáe a filha de meu pae! Casar? livra! Para que? para arranjar captiveiro? Um marido é peior que o diabo; pensa logo que a gente é escrava! Nada! qual! Deus te livre! Não ha como viver cada um senhor e dono do que é seu!

E sacudio todo o corpo n'um movimento de desdem que lhe era peculiar.

—Olha só que peste! considerou Augusta, rindo, muito molle, na sua honestidade preguiçosa.

Esta tambem achava infinita graça na Rita Bahiana e seria capaz de levar um dia inteiro a vel-a dansar o chorado.

Florinda ajudava á mãe a preparar o almoço, quando lhe cheirou que chegara a mulata, e veio logo correndo, a rir-se desde longe, cahir-lhe nos braços. A propria Marcianna, de seu natural sempre triste e mettida comsigo, appareceu á janella, para saudal-a. A das Dôres, com as saias arrepanhadas no quadril e uma toalha por cima amarrada pela parte de traz e servindo de avental, o cabello ainda por pentear, mas entrouxado no alto da cabeça, abandonou a limpeza que fazia em casa e veio ter com a Rita, para dar-lhe uma palmada e gritar-lhe no nariz:

—D'esta vez tomaste um fartão, hein, mulata assanhada?...

E, ambas a cahirem de riso, abraçaram-se em intimidade de amigas, que não têm segredos de amor uma para a outra.

A Bruxa veio em silencio apertar a mão de Rita e retirou-se logo.

—Olha a feiticeira! bradou esta ultima, batendo no hombro da idiota. Que diabo você tanto reza, tia Paula? Eu quero que você me dê um feitiço para prender meu homem!