*POEMAS SEM SUPORTE*

a Santa Rita Pintor.

ELEGIA

Minha presença de setim,
Toda bordada a côr de rosa,
Que fôste sempre um adeus em mim
Por uma tarde silenciosa…

Ó dedos longos que toquei,
Mas se os toquei, desapareceram…
Ó minhas bôcas que esperei,
E nunca mais se me estenderam…

Meus Boulevards d'Europa e beijos
Onde fui só um espectador…
—Que sôno lasso, o meu amor;
—Que poeira d'ouro, os meus desejos…

Ha mãos pendidas de amuradas
No meu anseio a divagar…
Em mim findou todo o luar
Da lua dum conto de fadas…

Eu fui alguem que se enganou
E achou mais belo ter errado…
Mantenho o trôno mascarado
Aonde me sagrei Pierrot.

Minhas tristezas de cristal,
Meus débeis arrependimentos
São hoje os velhos paramentos
Duma pesada Catedral.

Pobres enleios de carmim
Que reservara pra algum dia…
A sombra loira, fugidia,
Jámais se abeirará de mim…