VIOLANTE DE CYSNEIROS

*N. B.*—Apareceram-nos na Redacção estes belos poemas, que um anónimo engenho doente realisou. Publicamo-los, porque disso são dignos, importando-nos pouco a personalidade vital de que possam emanar. Toda a obra de arte é a justificação de si-propria.

Orpheu.

_A ALVARO DE CAMPOS,

O MESTRE._

Na noite negra e antiga
Ha só a luz do Pharol:
Ora loira, côr do sol,
Ora vermelha, inimiga.

No seio negro e profundo
Da noite em treva dormindo
O Pharol é Outro Mundo,
Ora chorando, ora rindo.

Na noite negra, afinal,
Tudo a elle se limita:
Só o pharol é real!

A treva nunca tem fim,
Ó sensação infinita,
—Sou já só Pharol de Mim!

Junho, 1915.