Sobre misterios já idos
Ergui-me em curva e de pé
Do meu corpo fiz sentidos
Num sonho de Salomé.
Curvos os olhos doridos…
Curvas as mãos e os braços…
Todo o meu corpo pedaços
Dos espelhos dos sentidos…
Dancei… Dancei… E o Ver-Me
Toda de curva e de pé
Era o sentido de Ser-Me.
Presente no meu olhar,
Eu fui Outra Salomé
Feita de Mim a dançar.
Junho, 1915.
AO SR. CÔRTES-RODRIGUES.
Passo no mundo a vivê-lo,
Passo no mundo a senti-lo,
E esta côr do meu cabello
É o vê-lo e o possuí-lo.
Passo no mundo a sonhá-lo,
Numa forma de vivê-lo,
E o meu sentido d'olhá-lo
É o sentido de vê-lo.
Só em Mim me concretiso,
E o Sonho da minha vida
Nesse Sonho o realiso.
E sempre de Mim Presente,
Todo o Meu Ser se limita
Em Eu Me Ser Realmente.