Que o sangue das minhas veias
Já creou papoulas rubras…

Mas tão sós e tão alheias!

Junho, 1915.

AO SR. FERNANDO PESSOA.

Nada em Mim é necessario
Nem mesmo o que foi sonhado,
Ó contas do meu rosario
D'um sonho nunca acabado.

Tudo tão feito de Mim…
Só meu longe de passado
É como um sonho sem fim
Que o Outro tenha sonhado.

Cruso os meus braços. Não fallo.
Ouço uma voz dolorida
Dentro de Mim evoca-lo.

Marinheiro! Ilha Perdida!
E o meu sentido a sonha-lo
É a verdade da vida.

Junho, 1915.

AO SR. ALFREDO PEDRO GUISADO.