Para Além d'aquelles montes
Não ha segredos de fontes,
Nem Sombras nas Alamedas,
Nem hervas, passos ou sedas.

Para Além d'aquelles montes
Já não ha arcos de pontes,
Nem mãos finas de donzellas,
Nem lagos, barcos ou vellas.

II

Para Além d'aquelles montes
Existe apenas Espaço!
Espaço e tempo são Pontes
Que Deus tem no seu regaço.

Pontes que ligam de Auzente
Infinito e Eternidade.
Só sensações são Presente,
Só nellas vive a Verdade.

Passado nunca passou,
Futuro não o terei:
Pois sempre Presente sou
No que Fui, Sou e Serei.

Junho, 1915.

AO SR. MARIO DE SÁ-CARNEIRO.

Ha pouco quando bordava
Picou-me a ponta dos dedos
A agulha com que bordava…

E a seda toda de branca,
Branca da côr dos meus dedos,
Essa seda que era branca
Ficou com papoulas rubras…