—«O quê—respondeu elle passando os dedos abertos pela cabelleira de romantico, n’um gesto familiar—pois V. Ex.ᵃ não acha brutal, não sente que os seus nervos se crispam, que o seu espirito delicado se confrange n’esta feira franca de vulgaridades?!...

—«Não, sr. Telles! Em primeiro logar porque os meus nervos são as pessoas mais pacatas e commodas d’este mundo; depois porque o meu espirito comesinho se compraz com as alegrias simples do povo. Repare como cantam e como é excepcionalmente movimentado este motivo.

Inclinaram-se todos sobre o paredão para melhor destinguirem um côro de vozes que entre as outras avultava, pela uniformidade e enthusiasmo com que acompanhavam a roda sapateada:

«Liberdade, liberdade,

Quem a tem chama-lhe sua.»

Repetiu Izabella cantarolando o que em baixo se cantava a plenos pulmões.

—«Quem poderá ter liberdade junto de V. Ex.ᵃ?!...—commentou amavelmente o Telles.

—«O quê, acha-me com cara de policia ou figados de carcereiro?...—respondeu a rir.

—«É o mais terrivel dos carcereiros porque nos algema com a etherial graça do seu espirito e nos prende para sempre só com a força d’um sorriso...