—«Por quem é, não desperdice a poesia, sr. Telles! Dizer coisas tão lindas, d’um perfume tão pronunciadamente ancien régime, em plena kermesse popular, e em prosa, confesse que é commetter um crime de lesa arte... Espero que me repetirá o mesmo em alexandrinos.—Voltando-se para o Ramalho:—sabe que estou com um desejo immenso de vêr ámanhã a romaria á luz do sol, com muita poeira e moscas, como dizem que são boas as toiradas, que para mim não passam d’um espectaculo monotono... Isto hade ser mais pittoresco, pois não, doutor?
—«Muito mais! Como não sou tambem um aficionado, acho mais caracter e movimento n’uma romaria ou n’uma feira.
—«Mas quer voltar pelas escadas?—inquiriu receoso o João.
—«Não,—assegurou, sorrindo do susto—podemos vir no seu phaeton, que por ser descoberto tem as mesmas vantagens sem os inconvenientes da travessia a pé.
—«Então amanhã tambem me abandonas?—perguntou-lhe quasi ao ouvido a Viscondessa.
—«É só amanhã, querida, para vêr bem este bello espectaculo que tanto interessa e diverte o meu espirito banal...—frisou n’um meio sorriso escarninho, olhando o Telles que amuára.
—«Então ajuda-me agora a levar a cruz...—murmurou a Viscondessa percorrendo com os olhos a roda dos convidados.
—«Ai filha, tenho tão pouca coragem e força para Cyrenéo de cruz tão pesada!...