—«Todos, sim; temos duvidas de menina romantica? Mas o que sentes?
—«Nem eu sei. Creio que estou na mesma; não sinto nada, não me doe nada.
—«Naturalmente foi o sol da Senhora do Monte que te fez mal...—disse-lhe ainda a viscondessa, sorrindo com uma pontinha de amigavel malicia.
—«Não me fez mal nenhum; e porque havia de fazer? Estou habituada a sahir com todo o tempo. Não tenho nada, sinto-me bôa... Pois tu não vês que estou na mesma?...—e olhava para a amiga, tentando convencê-la, appellando para uma força que já não tinha, a da serenidade d’ânimo.
—«O que querem então dizer essas lagrimas a bailarem-te nos olhos?... Queridinha, não se tem impunemente vinte e dois annos!
—«Mas o que tenho eu? Oh, Mary, se sabes o que sinto, se desconfias alguma coisa, dize, por Deus te peço! Eu não sei o que é.
—«Deveras?... Á tua cabecinha tão ajuisada não veio nunca o pensamento de que ha em nós um coração, um doido, que se póde conservar adormecido, mas que em acordando faz sempre loucuras?!...
—«Mas que loucuras póde fazer o meu, que tão egualmente reparto entre ti e meu tio?
—«E mais ninguem merece a sua sympathia, minha senhora?!... Nem aquelle que alem vem com tão melancolica sombra?—perguntou-lhe ao ouvido e indicando João que se aproximava acompanhado pela Candida e seguido por mais pessoas que vinham ao pic-nic.
—«João? Sou muito amiga d’elle, sou, mas que tem isso de extraordinario? Não é teu primo, quasi filho pela amisade? Estimo-o por isso como a um irmão muito querido.