A Hortensia é que não tinha ouvido nada, entretida como estava a dizer para o Vilhegas,—que a lingua franceza era afinal muito pobre.

—«Não ha maneira de se dizer é preciso!

—«Ha—respondeu muito sério o dr. Ramalho—é que V. Ex.ᵃ se esqueceu.

—«Como, então?

—«Il est précis...

—«C’est vrai, c’est vrai!...—continuou muito interessada a sua conversa em francês, não reparando no fungar sarcastico dos que tinham percebido a troça do medico.

—«Oh Visconde—chamou o d’Alvora com emphase—nós agora podiamos dizer como n’aquella historia dos Viscondes: Sêmos aqui tres Viscondes! É sêmos ou samos?...

—«É verdade, o terceiro era o mais prudente, que respondeu não saber. Temos bons colegas, não ha duvida...—respondeu o amphytrião rindo e deixando cahir sobre alguns dos convivas o seu olhar scintillante de ironia.

A festa prolongou-se pela tarde fóra sem esmorecimento de animação. Os ditos voavam de conviva para conviva, ás vezes do fundo para o principio da mesa, n’um esfusiar de alegrias despreoccupadas que contrastava rudemente com o luminoso e tranquillo cahir d’aquelle dia estival.