—«Ainda por cima a ingratidão de uma troça! Ora eu que emprehendi esta jornada só para a vêr, porque a minha amiguinha já nem se importa de se mostrar ao velho tio! Sim senhor, deixa-me á meza com os caturras, não me procura na sala de jogo onde os velhos se refugiam... estou perfeitamente posto á margem.
—«Não diga tal, querido tio! Pelo contrario, estava-o esperando para lhe dar a honra de o fazer juiz n’um pleito que ora aqui se debate. Exponha a sua queixa, visconde.
—«Oh, miss Burns está brincando, eu cedo sempre á vontade das damas, embora a justiça lhes faça mingua.
—«Oh, muito obrigada pela generosidade, mas nós as mulheres já temos os nossos direitos: queremos tambem as nossas responsabilidades. Despresamos a vossa piedade cavalheiresca, que nos dava a irresponsabilidade... das crianças.—Respondeu Bella com certo entono comico, que muito divertiu o tio e fez esboçar um sorriso ao João, a quem a questão não agradava.
—«Vamos, Visconde, não ha remedio: ella reclama justiça, justiça se fará, mas... talvez de moiro, que é o que ellas querem...
—«Se elle não apresenta a queixa, já vê que é uma prova de que não está seguro da sua justiça...
—«Menina, isso é um sophisma.
—«Não é tal! O caso é que a valsa acaba e a questão não acaba antes. Eu a exponho em duas palavras. O sr. João de Mello convidou-me para a primeira valsa e o Visconde para a segunda. Ora eu estive lá dentro e só agora venho dançar,—qual é a primeira para mim?
—«Realmente!—Burns deu uma alegre risada—um theologo não defenderia melhor um dogma arrevezado. Tu tens razão, o teu par é o João e o meu caro Visconde vae ficar compensado passando pelo Messias desejado de duas almas em pena que lhe vou mostrar.