E levou o alegremente a uma das pobres raparigas que lamentaram não ter par que dançasse com ellas uma vez ao menos...
Bella agradeceu-lhe com um sorriso, e, pondo a fina mão desluvada no hombro de João, deixou que elle a enlaçasse com um respeito quasi de religioso tocando em preciosidade cultual.
Seguiram na valsa colleante que os levava na corrente de um rythmo de musica vinda do norte, do paiz dos longos amores sentimentaes e dos lendarios castellos alcandorados nas montanhas...
Iam, levando-se nos braços um do outro, sem se verem nem ouvirem por entre aquella confusão divertida, obedecendo quasi mechanicamente ao espreguiçar inebriante da musica, n’um estonteamento de felicidade que parecia dar-lhes asas n’uma inconsciencia a roçar pelo sonho, tão intenso, tão extra-terreno era esse goso.
Só quando os ultimos acordes morreram nos violinos chorosos é que elles pararam, ambos egualmente atordoados e commovidos, deante de uma das portas do terraço, onde se ia respirar um pouco d’ar puro embalsamado pelas rosas trepadeiras.
—«Sabe que está encantadora, miss Bella!?—murmurou João levando-a para a varanda onde se refugiaram os conversadores.
—«Não diga isso, meu amigo.
—«Porque não, se é a verdade, o que sinto, o que vejo com os meus proprios olhos?!...
—«É o mesmo que qualquer outro me diria.