—«A menina vae lá?—perguntou a baroneza com interesse.

—«Eu era amiga da Pillar, que me tratava com muito agrado. Agora vou lá menos, mas a Engracia, que é muito amiga da minha avó, foi hontem fazer-lhe uma visita e contou isto. Lá em casa gostam tanto da noiva, que até ella, que d’antes só fallava na sua Pillarsinha, agora já diz que esta é um anjo do céo que Deus lhes mandou para pagar o roubo que lhes fez...

O Vilhegas torcia-se nervoso desde que a conversa tomara aquelle rumo, e Hortensia desviava a cabeça com enjôo, contando, por disfarce, os berloques que trazia no cordão de oiro ao pescoço. O Telles quiz desviar a conversa, mas a baroneza perguntou ainda com interesse.

—«A menina sabe quando elles casam?

—«Á Engracia disse que era depois de janeiro, porque faz um anno que morreu a Pillar. A Candida é que casa primeiro.

Novo estremecer do Vilhegas trocando olhares de intelligencia com o Telles.

—«Sim? Com quem casa essa? É uma formosura, não é, D. Manuel? Olhe que em Lisboa, convenientemente emoldurada em luxo, e n’uma frisa de S. Carlos, era d’um soberbo effeito—disse com a convicção de quem se não julga prejudicada pela mocidade nem pela belleza, forte no seu reducto de oiro.

—«É realmente perfeita! Faz pena ver escondida entre serras uma tão rara planta—respondeu o Pereira, que ás vezes se mettia em floreados de phrase recordando tempos de Coimbra.

—«Em casando já ella vae para Lisboa viver—tornou a menina Aurora, que estava tendo um verdadeiro successo com tanto saber de vidas alheias.

—«Quem é esse marido ideal?