—«É o Braga, v. ex.ᵃ não conhece? Cá chamam-lhe o Braga usurario, porque empresta dinheiro a noventa por cento. É muito rico. No baile da viscondessa estava sempre ao pé d’ella, não viram?—voltou-se a pedir confirmação ao dito, ás irmãs e ás meninas Souzas, que abanaram a cabeça affirmativamente e começaram todas a fallar ao mesmo tempo, querendo ser interessantes com o saber muito d’esse casamento, que era o escandalo da terra.

—«Dizem que o velho está doido pela Candida.

—«Até já fallou aos pedreiros para deitarem abaixo a casa do Bernabé, que o visconde sempre fez com que a camara expropriasse por utilidade publica...

—«É um verdadeiro escandalo, uma arbitrariedade sem nome, uma d’estas coisas que só se fazem n’uma terra de cafres como esta!...—apostrophava o Telles pensando já na correspondencia para o jornal de Lisboa.

E uma das meninas ainda elucidava:

—«Dizem que para o anno já hade ter um chalet como nunca se viu outro cá!...

—«O tio comprou-lhe um enxoval que nem que fosse para uma rainha—disse ainda outra com inveja.

—«Diz se que casam já para o mez que vem...

—«Ora ahi está un vrai mariage d’amour!...—casquinou a Hortencia.

—«Não se ria, minha querida,—respondeu a baroneza, que tinha o gosto particular de contrariar a filha do Maximiano—elle gosta sinceramente, e n’este genero de negocios um quasi sempre é enganado, quando não são os dois!...—sorriu com finura.