Voltava-se para a roda dos frequentadores da botica velha, que iam rareando á proporção que a nova crescia em créditos e fama, o que trazia o Domingos estomagado.

O caso do Manuel Duarte responder n’um processo correccional em que o juiz lhe déra por pena o tempo decorrido na cadeia, antes do julgamento, isto fundado no exame e na autopsia feitos pelo Vilhegas, com patente desconsideração ao Ramalho, suscitára contendas varias nos partidarios de um e de outro campo, e rompimento de hostilidades.

Da parte da velha fallava-se com indignação e sem rebuço no procedimento do juiz, peitado pelo conselheiro, e de todos os mais que haviam entrado no conluio. O delegado, um pobre rapaz sem vontade, especie de serventuario do juiz, torcia-se, mas não fazia nada que fosse contra as suas indicações.

D’ahi descomponendas nos jornaes por uma parte e por outra, mas principalmente pelo lado do Maximiano, feitas pelo Telles em redundancias de estylo a que o Dr. Pinto respondia em chalaça. Nessa tarde caturrava elle com o Neves, que não queria estar mal com uns nem com outros—«por causa da engrenagem dos governos», dizia.

—«Você desculpe, eu não quero dizer mal do seu primo, mas esta de certificar que um homem que leva com um marmeleiro na cabeça e morre em seguida de uma meningite, não é em resultado de pancadas, é de cabo de esquadra.

—«O sr. dr. bem vê, elle depende do sogro...

—«Deixe lá, ha coisas que se fazem só de vontade. Elle é seu primo, é verdade, mas isto brada aos céos...

—«Pois decerto, ora essa!... á vontade, sr. doutor; entre amigos não ha cerimonias, que eu, aqui para nós, o que quero é que o meu primo Emygdio vá a ministro. Depois é só eu lá chegar...

—«Com certeza... Pelo menos director da instrucção!—ria entre dentes.

—«Eu cá não quero muitas grandezas. Tamanha é a náu tamanha é a tormenta. Para mim basta-me um logarsito que me dê tanto como o do Manuel Vilhegas, uns dois mil reisitos por dia... e mais esse mal sabe assignar o seu nome.