—«Eu tópo—insistiu ella seccamente—tire carta.
O banqueiro mordeu os beiços despeitado e começou a puxar as cartas, vagaroso, muito molle, como se lhe estivessem colladas aos dedos.
—«Perdi, quanto é?—disse atirando o seu jogo á meza e olhando com simulada indifferença para as mãos lampejantes que se entretinha a revirar para mostrar o brilho dos anneis.
—«São vinte e cinco mil réis, fóra estes miudos que não vale a pena contar.
O tabellião fazia de generoso, não cabendo na pelle de regosijo.
—«Conte tudo—ordenou orgulhosamente, para mostrar á pelintrice provinciana como se joga no grande mundo.
A não ser o conselheiro, que conversava com a maior naturalidade para as outras mezas, todos os que estavam a meza do polis e os que de pé jogavam de fóra ou, meros mirones, simplesmente viam e commentavam, tinham seguido ansiosamente a partida arrojada da conselheira.—O Motta estava com uma sorte! Já não faltava senão dar mais uma vez; se passasse d’essa já não se desforravam com elle. Asneira tinha elle feito em retirar metade da banca logo no principio.
Pensavam todos o mesmo, invejosos, seguindo em silencio o movimento do baralho.
—«Falta a ultima, amigo Motta, e ahi é que a porca torce o rabo—disse o padre Mathias, de pé, com os tentos apertados na mão de mistura com cédulas já de ganho.