—«Inveja, eu?! Agora de que havia eu de ter inveja? Pois qu’é o Antoino de Mello mais camim? A mulher sim, não digo nada, agora elle!... Olha a grande jaração!
—«Não é lá d’isso que você tem inveja, sô Domingos; deixe-se de cantigas! O que a você o rala é a pequena ser tratada pelo Vilhegas que os levou para a nova.
—«Quê?!...—rouco de furia contida, recomeçava o Domingos o passeio n’uns impetos de fera, vendo o padre torcer-se ás gargalhadas.
Era o pratinho do cura metter ferro ao pharmaceutico; e este, sabendo isso, não queria responder para não dizerem que dava o cavaco.
O padre cura era o unico a quem elle desculpava umas certas graçolas e o unico que acceitava na sociedade depois de o saber frequentador da nova. Um pouco por medo, porque o padre tinha genio de varrer uma feira e não raro se fallava de romarias em que o seu cacete se cruzára com o dos mais pimpões, e um pouco, tambem, por curiosidade de saber o que se passava no campo inimigo.
Ainda o padre se torcia com riso quando entraram o Braga uzurario e o recebedor, que, só de o verem rir, começaram tambem a rir, comprehendendo logo do que se tratava pela cara apopletica do boticario.
O recebedor—muito vermelho, quasi cego, atarracado e obeso—interveio, conciliador!
Lá está o Domingos a dar a casca; deixe lá, homem, não faça caso. Ó sr. padre Mathias, deixe-o lá!
—«Eu pego-lhe?! Só lhe digo as verdades, e vae elle põe-se que nem uma barata.