De nenhum desses póde receber o salutar influxo que a torne a companheira condigna do homem civilisado, que a sociedade prepara no seio revoltoso das luctas e desesperos de hôje para um ámanhã mais justo.

É dos rapazes novos—não daquelles que entraram na vida tarados para o ramerrão comodista dos empenhos e empregos públicos, numa covardia mórbida para a revolta e para a lucta—mas duma pleiade de moços a sair das escolas, cuja alma sentimos palpitar numa aspiração perfeita das suas responsabilidades, como disse o Snr. Teixeira de Carvalho. São esses os que as podem encaminhar para a emancipação intelectual, esses os que devem colocar-se ao lado das suas irmãs e, tornando-as as suas verdadeiras companheiras, prepararem o seu proprio futuro de serenidade e confiança no lar.

Então o homem póde entrar com segurança na vida e ferir as batalhas mais sangrentas sem o receio de ver atraiçoada a sua obra na propria casa, na sua familia, pela companheira da sua vida, e pelos filhos educados no despreso e no odio ás suas ideias.

O que em Portugal se tem feito pela mulher é pouco e máu, mas o que se tem feito pela criança é ainda menos e peor, se é possivel.

Por isso nos consola uma festa como a da Escola 31 de Janeiro, iniciativa de rapases das escolas, sustentadas em annos consecutivos de lucta pela esforçada coragem de dois ou três que não debandaram nem desanimaram, passado o primeiro momento do arrebatado enthusiasmo da alma meridional.

Era isto, que fizeram alguns rapases das escolas, isto que fazem hôje e sempre os snrs. Luiz Derouet, Santos Franco e outros, não afrouxando nunca na propaganda, não esmorecendo na campanha contra a indiferença do público; era isto o que eu desejava que as mulheres fizessem. Não as casadas, que têm a sua vida, os seus filhos, os seus encargos, mas as raparigas que estudam e pensam; senhoras novas e inteligentes que do pouco fizessem muito á força de energia e amôr pelas crianças, raparigas modestas que desejassem fazer obra de honestidade e proveito e não especulação caridosa para arranjar noivo mais depresa.

Seriam essas, as futuras mães e educadoras, quem desejariamos á frente de escolas e institutos infantis, criados pela sua iniciativa, vivendo do seu benefico influxo.

Ahi, no convivio da alma da infancia, tão obscura e complexa, aprenderiam o seu papel de mulheres na familia.

Na créche, ellas aprenderiam a enfachar um pequenino corpo leitoso e mole, que mais tarde a natureza lhe porá ao seio e que as suas mãos inhabeis mal poderão tocar com mêdo de que se despedace. Aprenderiam quais as doenças que mais adquire a primeira infancia; qual a maneira de as evitar e combater, o que se chama a hygiene propriamente infantil.

Na escola maternal, aprenderiam, ensinando, como é facil educar e instruir crianças de menos de seis annos, conservando-as sempre na atmosfera alta da curiosidade e da aprendisagem.