Mas dando de barato que, por uma estranha repugnancia de espirito, os escriptores de hôje não agradem ás mulheres, porque despresam tudo quanto de grande e bello tinha a do tempo de nossas mães?
Por acaso deixaram os livros de Camillo de ser os mais humanos, os mais portuguêses, de quantos tem escripto e sentido um grande talento português? Por acaso já secaram, como fonte despresada em campo maninho, os lindos olhos das mulheres do nosso paiz, que já não se arrasam de lagrimas na partida de Simão Botelho para o desterro e na morte da linda Thereza e da tragica e simples Marianna?!
Tão perdido vai o seu gosto artistico, que já os seus labios se não abrem jocundos sobre as paginas de eterna graça, que o incomparavel escriptor espalhou por toda a sua grande obra?!
Tão adversas a preocupações de espirito, que se não familiarisem com todo esse mundo amoravel e risonho que nos deixou o romancista que deveria ser, por excellencia, o preferido das mulheres, Julio Diniz?!
Tão esquecida que já não leia toda essa pleiade brilhantissima de poetas e prosadores que foi a de Garrett e Herculano, até João de Deus, Anthero, Crespo, Eça, e tantos outros que a morte levou; sem falar nos que, por graça de Deus, ainda vivem e trabalham nesta Patria que devia ser o nosso orgulho e é o tormento de quem a ama e a vê tão outra do que devia ser?
Não, a falta não é dos escriptores, a falta é só da mulher que não está educada bastantemente (apesar de certos criticos acharem que o está já demais!...) para discernir e escolher o bom caminho que o mais vulgar senso commum lhe indica: uma educação séria e fundamentada, começando nas coisas práticas e uteis da vida, acabando na literatura e na arte em geral, que é por assim dizer a alma falante d'um povo.
É urgente que se convençam de que a mulher ignorante é o mais triste e aborrecido verbo de encher que a sociedade agasalha. Se é bonita, elegante, e veste bem, começa por ser um prazer para os olhos e acaba por se tornar um desprazer maior para o espirito, quando responde com o mutismo da ignorancia convicta, ou com a tagarelice da ignorancia atrevida, a uma simples conversa em que pessôas cultas jogam com ideias e conhecimentos como as crianças com as irisadas bolas de sabão que tanto as alegram.
Isto olhando-a pelo lado social, que na vida familiar os efeitos da ignorancia feminina são ainda de mais tristes e deleterias consequencias.