Comprehendendo a vida pelo estudo da grande mestra Natureza, é preciso que a mulher se convença de que se não é bôa mãe só porque se deu vida a uma criança, que no seu seio se gerou e completou e com o proprio leite se nutriu, rodeada de mimos e cuidados durante a infancia.

É preciso que a essa maternidade puramente material se alie a nobre maternidade do espirito e da educação—unica que lhe dará a garantia de possuir o respeito e o afecto confiado dos filhos, que sempre encontrarão nella avisado conselho.

Procurando nos animais o exemplo que nos oriente, vemos que todos elles desconhecem a mãe (porque o pai lhe é quasi sempre um estranho) desde que a criança se tornou forte e dispensou o ensinamento e a guia que nos primeiros passos lhe eram indispensaveis.

O mesmo succede ao homem, que se vai distanciando intelectualmente da mãe desde que deixa de lhe ser conselho e auxilio dos tenros annos.

Todo o falado amôr poetico pela mãe, é apenas o producto duma convenção sentimental adquirido pelo homem á medida que se foi civilisando.

Talvez até uma simples questão de moda trazida pelo romantismo, como os nefelibatas e simbolistas nos déram ultimamente nos seus lirismos as velhas criadas e as boas amas...

Durante o naturalismo forte da Renascença, a mãe é completamente esquecida pelos poetas e prosadores. Nas proprias telas a mãe glorificada pelo pincel dos mestres é a Virgem, a mãe fóra da humanidade!

Como reação ao culto da mulher amante, soberba da sua belleza e da sua força, veio o culto, bem mais postiço, da mulher, só porque o acaso a fez mãe.

A mulher póde e deve obstar, pelo esforço da sua energica vontade, á grande amargura que a espera quando a alminha radiosa do seu filho vai fugindo ao convivio do seu pobre espirito inculto para se lhe tornar quasi um estranho.

A mulher, na classe a que me tenho referido nestas paginas, pode educar-se a si mesma, que não lhe faltam meios para o fazer.