Senão, vejâmos. Como todos sabemos, estão criadas escolas e decretada a instrução obrigatoria ha tempo bastante para que a actual geração fosse filha, e até neta, de gente sabendo lêr.

E o que sucede?

O numero de analfabetos é enorme, e os que sabem alguma coisa é tão pouco, e tão mal aprendido, que mais se póde dizer que igualmente nada sabem.

Isto porque o professor é, em geral, uma pessoa que arranja esse oficio como podia arranjar outro qualquer, sem vocação, sem comprehensão do que seja o ensino e da responsabilidade com que vai arcar, tomando sobre si o encargo de iniciar pequenos cerebros obscuros no luminoso cultivo intelectual.

É muito grave e delicado o oficio, e não sei de quem o possa tomar de ânimo leve, só com mira nos magros proventos.

O verdadeiro professor é o sacerdote das ideias, que levantam e comovem hôje a humanidade.

Por elle, a criança deveria ter do estudo a ideia prática e util que é a base de toda a educação moderna, mórmente se é dada a pobres, sem tempo para perderem em inutilidades e bonitos. Por elle, a criança deverá receber uma noção simples, mas geral, de tantissimas descobertas com que dia a dia se augmentam os conhecimentos humanos, e saberem a maneira de utilisarem pràticamente o que aprenderam.

Mas não sucede assim. Os professores, miseravelmente remunerados como são, sem coragem nem iniciativa para luctar, alguns educados por processos archaicos, sem uma feição prática e utilitaria no seu método; como hão-de ensinar o que não lhes foi ensinado e não podem aprender por si, pela carestia da vida, e até pela falta de pequenas bibliotécas de vulgarisação e ensino? Por isso elles se não interessam senão por um ou outro dos seus discipulos mais inteligentes, que irá a exame e lhe dará honra e lucro, se a familia é abastada.

Os outros, a turba-multa, quando o trabalho os reclama para fóra da escola, mal sabem soletrar, escrevem a custo os seus pobres nomes obscuros, e não chegam a comprehender que vantagem lhes pode advir d'esse favôr da sociedade.

E estes são ainda os que vão á escola, que a grande maioria, principalmente nos campos, nem sequer se incomoda a frequentá-la.