IV
O TRABALHO DA MULHER
...é valorisar a mulher tirando-a do triangulo fatal: casamento, ociosidade ou prostituição.
Agostinho de Campos.
O homem português, como todo o dos povos latinos, despresa no fundo a mulher, apesar de ser o que mais a tem cantado poeticamente e turificado pelo amôr.
Talvez mesmo por isso... A mulher só lhe apraz como objecto de prazer ou escrava dos seus desejos, e para a conservar assim, nessa dependencia que lhe quer fazer convencer que é soberania, sujeita-se a tudo, até aguentar-se com todo o trabalho para que ella não crie habitos de independencia, vendo-se apta para ganhar a sua vida, sentindo-se senhora das suas economias.
A mulher casada, como está constituida a familia no nosso paiz e como em geral o homem a deseja—vive em casa do marido. Come o que o marido lhe dá. Veste aquillo que elle paga com o seu trabalho. É mãe de filhos de que elle, só, paga todas as despêsas. É o thezoureiro do dinheiro delle, e não poucas vezes ouve criticar com asperêsa os seus actos de governante!
A mulher casada, sem fortuna propria, é bem pouco senhora na casa que chama sua e pelo cantinho da qual aspirou tantos annos, isto se não tem a habilidade de se fazer admirada como um modelo de bom senso e economia, o que não é raro, como já dissemos.