Os soluços suffocavam-na, chorava sem consolação a amada morta que se viera despedir a tantas leguas de distancia!

Foi em vão que o marido a quiz convencer a esperar noticias. Elle escreveu logo confiando em que a resposta á sua carta a tiraria d'aquella tristissima impressão... Para ella é que não havia duvida possivel!

E a fatal noticia—que a morta viera trazer n'uma noite de luar tão branca como a santa amizade que as ligára—só passados seis mezes era confirmada por cartas vindas de Goa.—«E na ultima hora, minha querida tia, a minha mãe fallava em V. Ex.ª...»

É bem dolorosamente triste essa pequenina carta em lettra miudinha, de myope, fragil como o coração da pobre orphã abandonada tão longe dos seus!—Familia talvez em França, de onde era o pae, familia em Macau, familia em Portugal... Em Goa, elles sós! Como é triste essa carta, triste a fazer mal! Pobre pequena carta que eu guardarei eternamente—a relembrar as vagas, esparsas tristezas d'exilada que me andam na alma...

E mais tarde, morta a minha avó rodeada de filhos e netos, feliz na serenidade do seu lar, que ella soube sempre fazer tão querido,—a que longinquos paizes iria a sua alma peregrinar em amorosa despedida a algum dos seus?!...

Fevereiro de 96.

Da mesma auctora:

PARA AS CRIANÇAS

(PUBLICAÇÃO MENSAL)