—«Quem te disse tal?{168}

—«As raparigas da minha aldeia, quando cantavam:

«O amôr dum estudante
«Não dura mais de uma hora
«Tóca a cabra vão para a aula
«Vêm as férias vão-se embora.

Quando isto é o amôr, o que fará a amizade!?

As lagrimas tinham-se transformado em riso—ria agora convulsamente.

—«Isso são cantigas! Não penses isso de mim, Raquel. Ha rapazes loucos, mas tambem os ha sérios, como eu...

—«Não acredito! O Chico vai esquecer-se de mim, e quando fôr para a aldeia nunca mais o verei nem saberei de si! Antes queria morrer!...—tornava a chorar, visionando-me só, sem vontade nem gosto para viver.

—«Ó Raquelsinha, não diga isso, não a esquecerei nunca,—que tolice! Os amigos de infancia nunca se esquecem, creia. Nem tão pouco esquecerei a Mariquinhas.

—«A essa,—solucei, num sentimento de magua mortificado com uma pontinha de inconsciente ciume—a essa não a esquecerá o Chico, não!...

—«Mas porque menos a ella do que a si?{169}