Sente por nós um dôce carinho, que nos enche de reconhecimento, e todos nos juntamos na saudade da querida morta, a linda Mariquinhas, que tão íntimos e indissoluveis tornou os nossos afétos.{176}
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[IV
Sacrificada]
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[SACRIFICADA]
[I]
Quando Manoela entrou para o convento, todas as freiras e recolhidas correram apressadas á grade do côro para conhecerem a nova companheira, de que a superiora, Soror Gertrudes, ha muito anunciara a vinda.
Falavam a um tempo, riam satisfeitas com aquella diversão, que desmonotonisava a vida fastienta de todos os dias, emquanto que ella, nervosa e pálida, as olhava assustada, como quem entrevê, sem o compreender, um mundo estranho.
Sentia-se abandonada no mundo, sem um aféto ou uma ilusão que lhe devesse dar o desejo e a alegria de{180} viver, mas, apesar disso, aos seus dezeseis anos encantadores não sorria positivamente a ideia da prisão.
Era tão dôce o sorriso triste que lhe errava nos labios, e a sua voz, ligeiramente cantada, com o sotaque provinciano, era tão fresca e cariciosa, que as bôas freiras a consideraram desde logo um anjo do Senhor, mandado para as consolar naquelle triste fim da sua casa religiosa.
Encheram-na de presentes: uma trazia-lhe uns bentinhos, outra uma lâmina ingenua, salpicada de papelinhos doirados; rendas finas, outrora feitas na casa; dôces, especialidade do convento; coisas insignificantes, que eram no entanto toda a sua fortuna.