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Finalmente, no dia 28 de março de 1912 procedeu-se a nova e ultima abertura do ataude da Rainha Santa.

Como decorreu este acto di-lo uma das testemunhas que a ele assistiram e que fielmente fez reproduzir na Gazeta de Coimbra de 30 de março de 1912.

Como o número do jornal que publicou esta notícia foi rapidamente esgotado, embora a tiragem fosse muito aumentada, entendemos por bem reproduzir aqui o texto desse artigo:

«Noticiámos ha dias a trasladação do túmulo com o corpo da Rainha Santa Isabel, do côro de cima do extinto convento de Santa Clara, onde estava indevidamente desde Novembro de 1860. Foi na quarta feira, 28 deste mês e ano, que as freiras claristas, a pretexto de irem no dia seguinte o rei D. Pedro V com seus irmãos D. Luís e D. João àquele mosteiro beijar a mão da Santa Rainha, e mais comodamente o poderem fazer no côro do convento de que na tribuna do altar-mór,{25} trasladaram o caixão com o corpo, e não mais o deixaram voltar para o seu sítio.

«Entretanto é indiscutível que muito melhor se acha na bela tribuna, revestida de talha dourada, prepositadameníe feita para êle sobre o altar-mór, onde esteve exposto à veneração dos fieis durante 146 anos, desde a tarde de 5 de Julho de 1696, em que foi para ali transportado em soleníssima procissão pelos Bispos da Guarda, Lamego, Portalegre, Vizeu, Leiria e Miranda, sob a presidencia do Bispo-conde D. Fr. Alvaro de S. Boaventura, que oito dias antes, a 26 de Junho, havia sagrado a nova Igreja de Santa Clara.

«Hoje damos aos nossos prezados leitores uma outra noticia, ainda respeitante ao mesmo assunto.

«Espalhou-se, ha tempos em Coimbra, com bastante insistencia, o boato de que o túmulo da Rainha Santa havia sido violado; e embora se verificasse, quando ha dias se fez a trasladação, que os selos que o fechavam permaneciam intactos, é certo que recrudesceu depois disto o rumor de que o caixão transportado do côro para a Capela-mór se encontrava vazio. Em face de tal boato, tornava-se necessária a verificação, abrindo-se o túmulo com devidas formalidades, antes da aposição de novos selos.

«Foi êste acto que se realizou anteontem, quinta-feira, 28 do corrente, pelas 9 horas da manhã.

«Achavam-se presentes apenas os srs.: conego José Dias d'Andrade, representando o sr. Bispo Conde; Antonio Augusto Gonçalves, presidente da Camara Municipal e director do museu Machado de Castro; dr. Joaquim Mendes dos Remedios, reitor da Universidade; dr. Antonio José Gonçalves Guimarães, professor da faculdade de sciencias: dr. Antonio Garcia Ribeiro de Vasconcelos,{26} presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel; Francisco José da Costa, tesoureiro da mesma; Antonio Viana, fiel do museu Machado de Castro.