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UM MEETING NA PARVONIA
UM MEETING NA PARVONIA
POEMETO ESCRIPTO N'UM CANTO
LISBOA TYP.—LARGO DOS INGLEZINHOS, 27, 1.^o 1881
I
Oh! Musa sacripanta dos Vardascas,
Onzeneira, bulhenta, peralvilha,
Bachante de bordeis, deusa de tascas,
De Momo e da Discordia a vêsga filha,
Empresta-me o teu estro, põe-me em lascas,
Regateira infernal, vil farroupilha,
A mente, e, qual fusil na pederneira,
Accende-m'a com chamma de fogueira.
II
Preciso de fatal inspiração,
Não bebida na fonte de Hypocrene,
Como o enfermo que em grave indigestão
Carece vomitar, ou tomar séne.
Acode-me com o estro de febrão,
Que delire em linguagem torpe, infrene.
Oh! Musa, qual Medéa ardendo em furias,
Incita-me ás poeticas luxurias.